sábado, 12 de março de 2011

A vida: como critério último para a vida


Se é preciso uma crítica radical dos valores, se é necessário avalia o valor de todos os valores humanos, sem ter mais à mão um critério de verdade, então é fundamental outro critério que seja válido e inquestionável, que esteja acima de todos os outros.  Esse critério, segundo Nietzsche, é a vida.  Só ele pode decidir se um valor é bom ou ruim.  Como?
Partindo do critério vida, só se podem avaliar como bons os valores que estiverem servindo à sua expansão, intensificação e enriquecimento. E como ruins aqueles que estiverem criando condições para sua despotencialização, enfraquecimento, empobrecimento. Isso significa considerar vida como nunca se fez antes.
É preciso diferenciar vida da sobrevivência. Grosso modo, a sobrevivência descreve um empobrecimento da vida; quando meramente sobrevivemos, isso quer dizer que estamos vivendo de forma bastante precária, incipiente.  A vida é um fluir de intensidades que se apropriam de mundo e se expandem em novas intensidades, num movimento crescente e inesgotável.  Sem dúvida, ela engloba a sobrevivência, mas como sua dimensão mais baixa, seu alicerce, esse funcionamento adaptativo que pode ser o ponto de apoio para movimentos de maior expansão, criativos, transformadores.  A sobrevivência depaupera a vida quando a reduz aos seus horizontes utilitários, toscos.
Por isso, diante do critério vida, um ato suicida pode até ter um valor importante, na impossibilidade de uma sobrevivência mesquinha expandir-se numa vida mais potente: por exemplo, um prisioneiro político que se suicida, ao se saber fadado a uma morte lenta e humilhante nas mãos dos inimigos.
Há, também, ocasiões em que a luta pela sobrevivência pode gerar valores de vida bastante preciosos: por exemplo, quando uma pessoa com uma doença grave é levada, na luta pela sobrevivência, a se defrontar com a morte e, a partir daí, a reavaliar a própria vida.

[Do Livro: A vida como valor maior - Nietzsche, Alfredo Naffah Neto, F.T.D., 1996, São Paulo, pág. 52 – 74]

O texto acima nos ajuda entender que a ética se preocupa entre outras tantas questões com o desenvolvimento da vida. A Igreja cristã que não consegue transformar seus atos concretos em gestos éticos dimensiona a continuidade do modo secular de viver que não se preocupa, muito menos, se ocupa com a vida abundante descrita por Jesus Cristo.

Rev. Jorge Wagner

segunda-feira, 7 de março de 2011

Nos afastamos de Deus

"Invoca-me, e responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes." Jeremias 33. 3

Não ouvimos a voz do Senhor, não porque Ele não nos responde, mas porque nos afastamos de sua presença amorosa. Portanto, ser sábio signifia hoje, demandar todo esforço possível para nos mantermos em Sua presença.
Nosso maior pecado é não estarmos atentos a proximidade ou distância do amor do Eterno. A maioria das vezes nos damos conta que estamos distantes de sua ação, porque já não temos paz, saúde ou alegria. Há pouca vontade de atentarmos para nossa relação com o Criador. Não respondemos o seu amor, amando-O e amando nosso irmão e nossa irmã. Quando isso acontece nossa vida torna-se vazia e sem sentido.
A resposta que Deus colocou na boca do profeta nos alerta para que estejamos procurando sistematicamente estarmos em sua presença com ações de graça, adoração e louvor. Quando isso acontecer, então estaremos perto e Ele nos acolherá.

Shalom.

Rev. Jorge Wagner

sábado, 5 de março de 2011

Cuidado há perigo na esquina

Cuidado há perigo na esquina

“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”. 1 Coríntios 10. 12
“O sábio é cauteloso e desvia-se do mal...” Pv 14. 16a

            Nos anos setenta a música “Como os nossos pais” de Belchior, cantada por Elis Regina, já advertia que há perigo na esquina.

Por isso cuidado meu bem. Há perigo na esquina...
Para abraçar seu irmão. E beijar sua menina na rua...
Eu sei de tudo na ferida viva. Do meu coração...
Minha dor é perceber, que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos
E vivemos como os nossos pais...

            Sabemos que existem perigos, no entanto, não sabemos quando ou onde vamos encontrá-los. Nossa vida é cercada de perigos que não são vistos, portanto, não são lembrados. O que não significa que eles não estejam perto de nós. Por isso, temos que estar atentos a todos os movimentos de nossa própria vida.
Algumas vezes a vida nos prepara algumas armadilhas, e caímos feitos “pato” diz o adágio popular. Quanta vez nós somos tomados de “assalto” por coisas que jamais havíamos suspeitado que pudesse acontecer conosco. Parece coisa boba, mas acontece e o resultado é devastador, como furacão passa por nós e vira nossa vida de ponta cabeça.
            As situações adversas escondem outros perigos que para nós são invisíveis e não os vemos. Vejamos um exemplo: quando temos algum problema, muitas vezes, tomamos decisões apressadas, sem verificação dos fatos. São exatamente os detalhes que acabam determinando situações quando não constrangedoras, são verdadeiras bombas de efeito retardado que somente percebemos quanto explode devastando com tudo que está a sua volta.
            Um exemplo disso nós podemos perceber no relato a seguir o qual já utilizamos outras vezes para demonstrar a dificuldade que temos em perceber os perigos que rondam nossa vida: um homem que perdera a esposa tinha de cuidar de seu filho, porém, precisava sair para trabalhar no campo. Deixava seu cachorro de boa raça, cuidando de seu filho. Um dia, ao voltar, encontrou o cão, brabo, rosnando, com sangue nos dentes, apressadamente pegou sua arma e o matou, pensando que ele havia mordido seu filho. Quando entrou na casa, lá estava seu filho, assustado num canto da sala.
            Perto dele, um lobo ensangüentado e morto. Na pressa, com julgamento errado, matara seu fiel cão, salvador de seu filho. O perigo de erro está quase sempre no ato de julgar apressadamente sem um mínimo cuidado. Outra tantas vezes, em pensar que não há perigo, está tudo bem e por isso, fazemos as coisas de qualquer maneira.
            Muitas vezes, ao encararmos as situações, não temos o preparo adequado para pensar calmamente, e isso nos derruba. A Bíblia nos mostra a necessidade de nos prepararmos para viver de maneira sensata.
            Os textos acima, nos mostram que de um lado, que não somos sábios porque nos deixamos enganar pelas aparências. De outro, porque não nos preocupamos em nos preparar para as situações adversas que podem nos pegar de surpresa. Tanto uma situação quanto a outra, desvendam a dificuldade que temos em nos preparar para as dificuldades que a vida nos impõe.
Quem está em pé cuide para não cair. Um aviso sensato que Deus nos dá. Só podemos estar atentos quando temos a vontade de nos preparar. Deus quer que cada um de nós seja prudente e se aparelhe para o presente e para o futuro. Isso demanda tempo para que sejamos instruídos. O estudo da Bíblia, as leituras e os sermões são instrumentos relevantes para nos preparar para enfrentar os perigos que, estão a nossa espreita.
Não importa se hoje, agora, neste momento temos condições de responder às situações adversas, importa nos organizarmos. O tempo é hoje, o lugar é aqui.  Não podemos ficar a espera de um momento especial para iniciarmos nosso preparo. Toda oportunidade revelada a nós deve ser bem recebida.
            A ameaça a integridade de vida muitas vezes está ali, na esquina. Outras vezes no presente grego que recebemos. Outras tantas vezes no lugar mais improvável que poderíamos imaginar. Ele está em algum lugar a nossa espera. Se não estivermos atentos, vai alcançar nossa vida. Vai fazer estrago violento. Todo o cuidado é pouco, quando tomarmos uma decisão tenhamos certeza em não precipitarmos as coisas, pois, podemos cometer erros irreparáveis.
            As condições somos nós que devemos fazê-las, ajudados pelo Espírito Santo. Todos os dias devemos fazer como os atletas: “treinarmos”, isto é, nos preparar fortalecendo-nos com tudo o que Jesus Cristo nos legou.

Rev. Jorge Wagner

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Igreja cristã e a ética

Este texto serve ainda de referência para discutir a ética no espaço teológico e filosófico. Abordando a questão dos novos movimentos eclesiais e suas práticas. Devemos lembrar que aqui não colocamos nossa impressão como A Verdade, mas como motivação para discutir questões pertinentes à vida das comunidades de fé e encaminhar rumos para a vivência social no espaço eclesial.

Boa leitura. Espero que nos ajudem construir a discussão desta questão.

Shalom!

A Igreja cristã e a ética

            É necessário repensar o sentido da vida eclesial comunitária do seguimento cristão e fazer a autocrítica de seus próprios valores éticos. É imperativo reformular conceitos, implementar novas formas de relações, sem, no entanto, abrir mão e sem sacrificar as questões básicas da fé. Hoje, o cristianismo passa por uma de suas maiores crises, como poucas em sua história. É preciso reforçar o caráter ético da religião de modo geral, e do cristianismo, de modo particular.
Os novos tempos são definidos pelos vários movimentos advindos dos anos setenta, a procura da liberdade em um mundo “ultrapassado”, nefasto e sem esperança, propicia abertura às experiências dos mais diversos matizes. A busca desenfreada pelos conhecimentos espirituais desencadeia um processo de secularização da evangelização cristã. Para efetuar uma maneira particular de evangelizar, a televisão é usada largamente, e vai ao longo desse tempo até os dias de hoje, forjar novas culturas. Segundo Muniz Sodré “Debruçada sobre a derrocada de valores tradicionais (a "onda" juvenil, o peso ideológico dos imigrantes, a expressão pública das minorias etc.) e centrada no messianismo do espetáculo místico, a ‘igreja eletrônica’, ou ainda ‘igreja comercial’, passou a constituir verdadeiros impérios televisivos. Neste contexto, tudo se vende e se compra – da fé à redenção”. [Muniz Sodré. Mídia e religião:A salvação cotada em dóla. rwww.novomilenio.inf.br/idioma/ 20010711.htm. - Acessado em 04 de agosto de 2009].
            Aos poucos a Igreja Eletrônica vai dar espaço à Igreja Midiática. Não é somente o culto transmitido pela televisão, mas também os milagres que vendem ilusões e trazem audiência das massas. Some-se a isso, venda de objetos, CDs, modas evangélicas, etc. As igrejas da era midiática em sua “vitrine” vendem de tudo um pouco, o culto vira show, e, as promessas de Deus, barganha por dinheiro. E para manter tais programas vale de tudo. Brigas com outras emissoras, divisões, poder. O que está em jogo é a manutenção do modelo cultural. Magali do Nascimento Cunha, afirma que “A explosão da cultura gospel dos anos de 1990 imprimiu outro relacionamento dos evangélicos com a mídia e estabeleceu um novo papel para ele no campo religioso evangélico brasileiro”. [CUNHA, Magali do Nascimento. Consumo: novo apelo evangélico em tempos de cultura gospel. In: Estudos de Religião, Ano XVIII, nº, jan./jun. 2004, p.54].
      Este modelo constitui uma nova cultura mais genérica e menos relacional, mais individual e menos social. Está forma de cultura demanda outro formato de organização e de relação entre pessoas. Embora, consiga juntar muita gente num mesmo espaço, não aglutina as relações humanas. Segundo a autora mencionada, “As culturas evangélicas no Brasil, desde seus primórdios no século XIX, assentaram-se sobre as bases da negação das manifestações culturais autóctones e da supervalorização do american way of life e da cultura religiosa anglo-saxão; do autoritarismo, presente no forte clericalismo; da intolerância e do antiecumenismo (...)” [Idem]. Tal forma de tratar o modo de ser da religião para as Igrejas Eletrônicas e Midiáticas tem razão de ser, se visto pelo prisma do que vem de fora sempre é melhor, pois o individualismo, o autoritarismo e principalmente o antiecumenismo, vindo no rastro dos tele evangelistas americanos tais com: Jimmy Swaggart e Rex Humbard, entre outros,  reforçam o status quo e mantém “as rédeas curtas” de modo que mantém as pessoas sem um mínimo de reflexão sobre os acontecimentos.
            Sodré aponta três questões básicas que ajudam a manter o modelo e estrutura nessas igrejas.  a) A lógica mercantil profético-moralista e auto-escatológica; b) articulação da rotina cotidiana dos indivíduos; c) a ideologia que vê na suposta racionalidade comunicacional o “melhor dos mundos” [Muniz Sodré, Idem]. A forma descrita por Sodré ajuda-nos perceber como a cultura da Igreja Midiática consegue manter-se. Na sociedade consumista o modelo eclesial não pode deixar lugar para a reflexão. Via de regra, numa comunidade de fé há troca de informações entre as pessoas que congregam. No cenário descrito – a ação profético-moralista reforça determinadas questões de fundo. Por exemplo, o que é determinado pelo dirigente não pode ser contestado. O “escolhido por Deus é ungido e fala aquilo que Deus quer que seja feito”.
            A segunda questão vital para manter o modelo é a articulação da rotina do indivíduo. Em primeiro lugar é preciso assegurar que o indivíduo seja mesmo individuo, diluído entre uma multidão, de maneira que lhe dê a falsa sensação que ele é parte do todo sem, no entanto, poder articular-se com os demais. Como um apresentador/a qualquer que seja o/a tele-evangelista, missionário, apóstolo ou bispo, isso vale para mulheres apresentadoras, precisa reforçar no tempo disponibilizado por meio de rotinas que midiatizem[1] a vida cotidiana de cada indivíduo de maneira que em todas as “ações” cultuais repitam àquilo que já é conhecido.
            O modelo americano de tele evangelismo “pegou” no Brasil. Pastor Nilson Fanini, R. R.  Soares, Bispo Edir Macedo, entenderam cedo e não deixaram “a chance” escapar. Este grupo investiu pesado e finalmente conseguiu transformar o modelo americano em igreja midiática. Hoje serve de modelo para outras igrejas televisivas promoverem a forma de igreja-empresa utilizando todas as formas possíveis de mídias, de maneira que a “igreja” dê lucro, para o dono e seus associados.
            Deve-se ainda perceber a ideologia que referenda um mundo próprio em que não só a pessoa que participa do culto midiático. Mas, também o telespectador veja um espaço que lhe é apresentado e quê seja próprio do grupo em questão, com linguagem e cultura que identifique quem deste mundo participa. Isso pode ser percebido pela moda, pela música, pelo comportamento. Nas palavras de Sodré: “Na verdade, toda e qualquer experiência subjetiva do sobrenatural ou da transcendência, a que se dê o nome de religião, depende fortemente de práticas mediadoras, que variam do ritual a formas escritas” [Muniz Sodré, Idem]. Neste sentido vale lembrar que os apresentadores que antes eram tele-evangelistas, hoje são um misto de magos, atores, vendedores que em sua prática vendem até mesmo o paraíso aos seduzidos crentes e telespectadores.
Segundo Heinrich A. Fonteles, “Assim, a TV, através de um forte apelo e sedução, proporcionados pelas imagens, tem exercido uma forte presença na vida das pessoas, impondo comportamentos, condutas e hábitos. E, como afirma Marcondes (1988), a TV surge na tentativa de suprir algo que se tem perdido ao longo dos tempos: a alteridade, o diálogo, e o apelo sensorial do próximo”.  [www.mackenzie.br/fileadmin/...Et.../Heinrich _A.Fonteles.pdf  - Acessado em 21 de agosto de 2009]É nesta “brecha” cultural deixada pelas igrejas tradicionais que os programas se estabelecem]. Pois, as pessoas em seu quotidiano não tendo opções de lazer e cultura, optam por programas que lhes dêem algum sentido de participação na vida cultural. Acabam se envolvendo pelo discurso “fácil” que algo ou alguém lhe diz de modo simples o que fazer. Pela simplicidade das coisas, estas pessoas se identificam com a linha de programa que não difere muito, por exemplo, do programa do Silvio Santos, Faustão ou do programa do Gugu
            Dietrich Bonhoeffer nos brinda com uma preciosidade de primeira grandeza: O fenômeno ético é um acontecimento-limite, tanto no que se refere ao conteúdo quanto seu aspecto vivencial. (...) Como experiência – nascida da desintegração concreta de uma comunhão – “[Dietrich Bonhoeffer, Ética. 5ª Ed. São Leopoldo, Sinodal, 2001, p. 147]. A ética no atual contexto da chamada igreja midiática, foi ferido mortalmente, está na UTI, se não houver cuidado dobrado, vai morrer.
            Muitas igrejas históricas têm procurado trilhar o mesmo caminho deste modelo descrito acima. O problema consiste em negar muita vez, sua história, deixando envolver-se por conteúdos não apenas estranho ao seu arraial, mas, negando o que historicamente tem sido sua essência. De modo que, semelhantemente aquelas, ferem do mesmo jeito a ética cristã.

Rev. Jorge Wagner



[1] Entenda-se como a capacidade de intervir como árbitro ou mediador. Significa que tais rotinas são direcionadas para dar rumo à vida de quem participa de maneira direta ou indireta desses programas.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ética um caminho seguro para a vida

Já estamos na segunda postagem sobre ética. A primeira foi uma introdução, esta especifica mais o significado de ética. Já se pode esboçar a conjugação da ética com o texto sobre a Verdade que liberta. Boa leitura.

Não esqueça – Vamos discutir, trocar idéias, criticar, participar.

Um grande abraço.
Jorge Wagner



Ética um caminho seguro para a vida

Introdução

            A ética não pode ser considerada um valor ultrapassado ou inválido, porque algumas pessoas desejam. Embora, tenha nestes dias muita controvérsia, pode-se dizer que sua validade é respaldada pela própria necessidade de rever ações que contrariam o bom senso e dificultam diversas ações na sociedade hodierna.

            A questão central é que se fala muito a respeito do ser ético em vários neveis, entretanto, não se pode negar que há dificuldade em entendê-la em sua amplitude e contexto. Para dimensionar sua abrangência precisamos evocar seu caráter para aplicá-la na vivência quotidiana.

Escopo

Ética: uma definição

A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano. [VASQUEZ, Adolfo Sánches. Ética. 2a ed. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira. p. 12]

            Por sua formulação a moral muda conforme os tempos e lugares, e a cada momento deve-se definir ou redefinir o caráter moral que rege a sociedade, então como saber se a moral está sendo empregada de maneira correta, ou se é plenamente válida naquilo em que efetivamente foi empregada?

            Para resolver tal questão necessita-se da ética, que terá a incumbência de estudar os modelos morais e redefini-los se necessário.  Significa que ela deve querer à racionalidade e a objetividade [VASQUEZ, Adolfo Sánches. p. 12] para proporcionar conhecimentos, metódicos, sistemáticos, de maneira que se possa comprová-los no momento de executar a moral.
            A ética ainda deve ser entendida, como:

Uma reflexão sistemática sobre o comportamento moral. Ela investiga, analisa e explica a moral de uma determinada sociedade. Compete à ética, por exemplo, o estudo da origem da moral, da distinção entre comportamento moral e outras formas de agir, da liberdade e da responsabilidade. [VASQUEZ, Adolfo Sánches. p. 12]

     A ética deve ser entendida em sua ação global, pois é ela quem vai discutir os assuntos mais relevantes de nossos dias. Ela esta presente nas discussões sobre experiências na engenharia genéticas, ciências biomédicas, transplantes de órgãos, poluição, etc. Mas acima de tudo devemos vê-la nas relações políticas.


Campo da Ética

Para perceber o campo da ética é necessário que se tenha claro que os problemas dela são caracterizados pela sua generalidade e isto a distingue dos problemas morais do dia a dia, que são caracterizados por situações pontuais e concretas.
A ética é teoria que pesquisa ou explica um determinado tipo de experiência humana ou forma de comportamento. Sendo assim seu ponto de partida é a existência da história da moral, significa que ela toma como ponto de partida a “diversidade de morais” [VASQUEZ, Adolfo Sánches,  p. 12], juntamente com seus princípios, normas e valores.
Como outra ciência qualquer a ética se defronta com fatos humanos, de valores e relevância para a vida social. Com esta postura ela fornece o entendimento racional de um aspecto real, efetivo, do comportamento humano.


Notas Conclusivas

            A ética deve ser entendida como mediadora das situações morais da época presente. Sua racionalidade e sua cientificidade opõem-se ao senso comum, ao determinismo que tenta fazer a sociedade acreditar que aquilo que já está estabelecido deve ser tomado como legítimo e verdadeiro pronto para ser usado.

            Na medida em que as dúvidas aparecem devem ser dirimidas de maneira coerente e prática. De modo, que seja praticada e viabilizada no ambiente ao qual esta sendo tratada no momento em que os acontecimentos exigirem sua ação.

Discutir teologia e filosofia: A verdade que liberta e dá vida

Discutir teologia e filosofia: A verdade que liberta e dá vida: "“... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8. 32 Introdução Em face às muitas mentiras que o ser humano vive nos dias de ..."

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A verdade que liberta e dá vida


“... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8. 32


Introdução

Em face às muitas mentiras que o ser humano vive nos dias de hoje, torna-se necessário estabelecer os conceitos de conhecer e de verdade. Conhecer e estabelecer a verdade são questões urgentes, pois, algumas verdades são simulacros (mentirosas) e outras vezes se confundem com as próprias mentiras. Conhecer o que é verdade no contexto bíblico descrito em João é importante para estabelecer a mesma. A preocupação teológica com o assunto é pertinente, pois, conhecer e estabelecê-la não são questões puramente semânticas, mas, de evocar o Reino de Deus, por meio da ação da verdade.

Escopo

O texto de João mostra a necessidade de diferençar a verdade aparente daquela que se impõe como tal. Por exemplo: os fariseus diziam fazer a vontade de Deus Pai. Faziam estes, verdadeiramente à vontade de Deus? Na perspectiva do reino, não havia verdade estabelecida, pois, esta variava de acordo com a ocasião e o humor dos senhores da lei. Para o pensamento judeu, verdade evoca essencialmente: certeza, solidez, fidelidade e constância.  Ex: Quando falo que amo meu pai, minha mãe, esposa, filhos ou amigos etc. Para definir que isso é verdadeiro, tenho que mostrar a veracidade de maneira concreta, isto é, com atitudes. Mas antes de trataremos a respeito da verdade, vejamos o sentido de conhecer.

Conhecimento (epistemologia) ou a teoria do conhecimento trata entre outras coisas, “da experiência e da razão; ou ainda, da relação entre o conhecimento e a certeza, e entre o conhecimento e a impossibilidade do erro...”. [Blackburn, Simon. Dicionário Oxford de filosofia. Zahar Editores, 1997, p. 118]. Para determinar o conhecimento da verdade, deve-se saber com qual conteúdo estamos lidando, de que verdade nós estamos falando e onde queremos chegar com aquilo que pensamos ser conhecimento. Por outro lado, conhecer também evoca equilíbrio reflexivo. Não é possível conhecer alguma coisa sem ter contato e sem refletir sobre o objeto do conhecimento a que nos referimos.

Se for conhecimento que se refere às considerações acima, se refere à certeza, isto é, um conhecimento que é digno de nota e traduz a expressão do saber daquilo que está se falando, sem falsa certeza ou sem incerteza determina de quem pronuncia o conhecer de todos os aspectos daquilo que é pronunciado. Significa que “O problema de definir conhecimento em termos de uma conjunção entre a crença verdadeira e uma relação especialmente favorecida entre o agente e os fatos” [Blackburn, Simon, p. 119] é o que pode fazer a diferença em saber-se realmente se é ou não certeza.

A verdade pode ser considerada, como tal apenas se referindo como coerência de uma teoria, como correspondência de uma teoria ou como descrição de uma teoria. Entretanto, ela pode ser uma verdade necessária, isto é, “aquela que não poderia ser outra coisa” [Blackburn, Simon, p. 403]. A verdade considerada como  necessária, é portanto considerada sólida, certa e é necessário ela seja fiel e constante. Tomando o mesmo exemplo descrito a pouco, se digo que eu amo não posso trair, tenho que ser fiel. Significa sempre.

O conceito grego para verdade exprime o fato de alguma coisa a ser descoberta, e quando colocada às claras, desvela, expressa e liberta das aparências que a velam. Se quisermos a verdade, jamais ela poderá ser um simulacro da verdade. Ela deverá ser sempre a expressão daquilo que verdadeiramente é. Jamais, poderá ser parecido com o que é. No texto de João 8. 32, a palavra a0lh/qeian (aletéian) [Novo Testamente interlinear grego-português. Barueri, Sociedade Bíblica, 2004] se encaixa no disposto acima. É uma verdade que está acima de qualquer suspeita e que representa aquilo que lhe compete, sem meio termo. A discussão sobre quem profere a verdade é ponto central da própria verdade em si. Pois, no texto a verdade é o próprio comunicante e não outro.

No texto de João percebemos que há conhecimento do significado de verdade, com todos os argumentos acima expostos sobre verdade.  Jesus é judeu: conhece o sentido de verdade judaico e grego. Por isso, ao proferir sobre conhecer a verdade, ele sabe do que está falando, é categórica sua afirmação, não deixa espaço para dúvida. O evangelista já definiu desde o começo que o Cristo da redenção humana é o verbo encarnado. Seu conhecimento de Deus é interior e ulterior a tudo o que se poderia pensar ou dizer a respeito, ele sabe quem é, por que conhece e ele próprio disse que ele e o Pai eram um. Portanto, o texto para o evangelista é categórico e persuasivo, Ele, Jesus é a verdade.

As coisas que são consideradas não verdadeiras escravizam e determinam a morte. O ser humano usa máscaras e simulacros que servem para identificar cada um, conforme a ocasião. Isso muitas vezes determina peso e medida diferentes. Em todos os lugares é recorrente mascarar a realidade para servir como objeto de veracidade, embora, efetivamente não seja. Todavia, segundo o texto de João quando a verdade se estabelece por meio daquele que a pronunciou e a determinou, gera liberdade e salvação. Não se trata de uma salvação qualquer, mas, a verdadeira salvação proposta pelo Senhor Salvador.

Quantas vezes, pessoas dizem que estão certas de que fazem a vontade de Deus, mas, conforme as ocasiões facilmente mudam de idéia. Se de fato entenderem do que o mestre fala é impossível não perceber a diferença entre a verdade e a aparência da mesma. Deve-se aderir à interpretação que Jesus dá a questão da verdade e que exprime a palavra e a verdade de Deus – conhecereis a verdade – isto é, a Palavra de Deus: e ela vos libertará.

A verdade neste caso é a realidade de Deus na medida em que Ele é a plenitude da vida verdadeira do poder e da graça vivificante e pode associar o ser humano a ela, pois Ele é o autor da vida, E como autor da criação, quer dar vida e liberdade humana. Conhecer a verdade liberta, por que isso é conhecer a vontade e o amor de Deus, que é revelado em Jesus Cristo para a salvação da vida, livrando-o da escravidão do pecado.


Notas conclusivas

Esta verdade se manifesta e se comunica somente em Jesus. Segue daí que a fé nele também é conhecimento e acolhimento de verdade. A liberdade, o amor, a salvação, a dignidade, portanto, vêm através do conhecimento de todas as coisas que emanam de Deus, principalmente o conhecimento a cerca de Cristo, Senhor e Salvador de todos nós.

Jorge Wagner de Campos Freitas
  Mestre em Ciências da Religião